Ensaio -
“Melodia! A Essência da Alma”
Por: Mauricio Filho
Conceito Quase Divino
Desde os
primórdios da música, do mais arcaico ao mais refinado, o compositor busca o
Santo Graal da arte sonora: a melodia perfeita. Aquela que toca a alma do
ouvinte, permeia cada célula e se expande através do espírito, elevando o Ser a
um patamar de puro êxtase.
A melodia
guia e determina uma obra, permitindo que o ouvinte possa cantarolá-la e
lembrar-se da música apenas por esse elemento. Por essa razão, a melodia se
torna, sem discussão, o principal componente dentro de uma composição musical,
independentemente do estilo. Ela emana os sentimentos mais profundos do
compositor, aqueles que não podem ser ditos com palavras. Assim como na
filosofia, a melodia absorve todo o emocional do Ser que a criou — seus anseios
e desejos, sua tristeza e felicidade.
A Busca Eterna Através do Tempo
Desde as
belíssimas melodias de Mozart, dotadas de profundidade emocional, até as
marcantes melodias de artistas contemporâneos como os Beatles ou Tom Jobim, há
uma eterna busca por aquela melodia capaz de expressar tanto o sentimento do
compositor quanto despertar emoções semelhantes no ouvinte.
Claro que
cada pessoa, devido à personalidade, ao gosto, à criatividade ou mesmo ao nível
de estudo, atribuirá diferentes sensações à mesma melodia. No entanto, uma boa
melodia sempre causará alguma reação emocional.
A Melodia Segue Modificando as Leis da Música
A
necessidade de construir linhas melódicas mais profundas e trabalhadas levou o
compositor a abrir mão de certas regras musicais, adaptando situações antes
"proibidas". A música, como um todo, vem evoluindo e se ramificando a
partir da necessidade de criar algo novo. Em meio a novas possibilidades
harmônicas, instrumentos e combinações, torna-se possível criar músicas e
melodias infinitas.
Liberdade de Expressão Musical
A
expansão da consciência musical levou compositores a deixarem vidas seguras
para viver sem garantias, movidos pelo desejo ardente de inovar, conquistar e
entregar ao público algo jamais visto. Essa foi a luta de Mozart, que preparou
um terreno fértil para outros gênios, como Beethoven. Essa mesma liberdade
criativa foi levada a outro patamar por Richard Wagner, que colocou toda a sua
alma em suas obras.
A
providência fez com que grandes nomes da música fizessem o mesmo em outros
campos e estilos, como blues, jazz, country, Mpb, rock e heavy metal. A arte
visual, a poesia e os conceitos ideológicos, políticos, históricos e
introspectivos passaram a se integrar à música, tornando possível para o Ser a
verdadeira libertação do espírito. Dentro desse contexto, temos a principal
guia dentre todos os elementos: a melodia.
A Síntese Melódica Aliada à Teoria
A
perfeita visão de uma composição é aquela em que o criador utiliza os conceitos
teóricos ao mesmo tempo em que tem a liberdade de "errar" e modificar
o que for necessário em prol de sua obra. O músico dotado de estudo teórico tem
a tendência de se prender às regras, o que faz com que poucos grandes
compositores surjam nos tempos atuais, especialmente no ramo erudito.
Da mesma
forma, o músico autodidata pode carecer de um estudo mais aprofundado, o que
pode resultar em composições sem coesão, apesar de sua criatividade orgânica.
Ao analisar a sonoridade de certos modos — meus preferidos, Lídio e Frígio —,
percebe-se como a relação intervalar, bem trabalhada, contribui para uma
criação melódica profunda e estilizada. Sobre essa base, constroem-se belas
progressões harmônicas, arranjos e frases dotadas de virtuosismo,
contrapondo-se à melodia guia.
A Necessidade Humana
Desde
sempre, o homem tem a necessidade de entender e teorizar tudo. Cada mudança
feita nas regras de harmonia e composição — desde a música medieval, passando
pelos primeiros cantos gregorianos e contrapontos — adicionou novas
possibilidades à música. Cada modificação leva a um novo conceito, que recebe
uma nomenclatura e uma explicação teórica sobre seu uso, servindo como
referência para o futuro e dando continuidade à evolução musical.
Isso é
incrível, mas devemos entender que a arte, principalmente a música, exige a
entrega do Ser como um todo: intelecto e espírito devem caminhar juntos, sem
nunca prejudicar a melodia, que deve sempre alcançar a magnificência.
Conclusão
A melodia
seguirá seu caminho através da grandiosidade de compositores capazes de
expressá-la, não importando o método.
Mauricio
Filho

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